Tecno II? Mas que Santana é este? O protótipo apresentado no início de 1985 tornou-se, para alguns, um sonho de consumo; para outros, um carro de gosto de duvidoso que jamais teriam coragem de ostentar.

Com visual lembrando carros futurísticos, o Tecno II foi montado em São Bernardo do Campo e utilizava a base mecânica dos modelos alemães - mais precisamente a seção traseira da plataforma dos modelos Syncro com suspensão independente por braços arrastados, que serviu somente como provocação para nós, pobres mortais e proprietários de Santana, que até hoje sonhamos com esse tipo de trem-de-força.
 


 

Parece exagero de nossa parte falando do Tecno II, mas então nos diga: qual Santana completamente brasileiro adotou sistema integral de tração, motor 1.8 16 válvulas e freio a disco nas quatro rodas, sendo que os dianteiros eram ventilados?

Os freios eram de produção nacional, mas a VW nessa época infelizmente só usava discos sólidos por questões de economia; isso além da estrutura, carroceria, freios e direção, refrigeração e todos os sistemas eletrônicos, assim como as modificações aerodinâmicas e estilísticas - tudo genuinamente brasileiro.
 


 

O grande destaque para o Tecno II estava na mecânica, que recebeu o motor 1.8 do Scirocco, com injeção eletrônica e cabeçote com comando duplo e 16 válvulas, desenvolvido pela alemã Oettinger. Esse cabeçote era usado pelos Golf GTi, Scirocco e Audi, na mesma época. No Tecno II, isso contribuiu decisivamente para o aumento de potência, chegando aos 139 cavalos com grande elasticidade, não decepcionando em retomadas como muitos motores 16 válvulas, também graças ao bom escalonamento do câmbio.

O grande destaque desta versão era o sistema de tração permanente nas quatro rodas, como nos Audi Quattro I e Passat Variant Syncro, com três diferenciais, dois dos quais bloqueáveis (central e traseiro), um detalhe interessante para terrenos de baixa aderência como barro, neve ou em condições de dirigibilidade críticas como debaixo de chuva e piso altamente irregular, onde se necessita de todo o apoio do veículo. A suspensão dianteira é MacPherson como nos modelos com tração dianteira e a traseira era específica para o modelo, agradando quem aprecia uma pilotagem mais exigente. Com o sistema de tração integral permanente da Audi/VW, era praticamente um convite para os excessos.
 


 

O Tecno II trazia ainda uma série de acessórios, no limite entre o útil e agradável para a época, alguns itens até desconhecidos do público nacional. Essa verdadeira parafernália de luzes e cores começava pelo painel digital, com conta-giros, pressão do e termômetro de água, velocímetro e nível de combustível também digitais, além do computador de bordo, fornecendo: hora, tempo de viagem, autonomia, velocidade média e média de consumo, feita a cada 100 km.

No teto, entre os pára-sóis, ficava o check-control que informava ao condutor as anomalias ocorridas durante o funcionamento do veículo. O sistema de checagem se expressava por um jogo de luzes e também por um processo sonoro, mais ou menos no estilo “carro que fala”, enfatizando as anormalidades mais graves. Por exemplo, a queda de pressão do óleo era avisada em tempo mais curto do que uma porta mal fechada. Também dispunha de melhorias que hoje são consideradas usuais, como temporizador para os vidros elétricos, alarme com acionamento a distância e piloto automático.
 


 

Um sistema anti-furto à base de raios infravermelhos foi utilizado; para completar, havia ainda televisão, telefone e calculadora (Hewlett-Packard 12C), além de um baixíssimo nível de ruído, permitindo desfrutar de todos os itens oferecidos, acomodado nos confortáveis bancos em couro Recaro, que já dispunham até de regulagem elétrica. Enfim, como o próprio nome dizia, era uma amostra de tecnologia e, por incrível que pareça, se passaram mais de 20 anos e ainda existem alguns acessórios que ainda não se popularizaram por aqui e outros sequer existem.

É, nossa indústria automobilística já viveu tempos muito melhores que os dias atuais...

Por Ignacio Montanha Teixeira Marques e Lucas Toffoli Alcino. Edição de Thyago Szoke.

 

 

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