Lançamento

Pouco depois de completar 20 anos desde o seu lançamento no mercado brasileiro, o Santana entrou para a história da Volkswagen, como uma grande estrela que ofuscou os concorrentes na faixa dos grandes de luxo, somente o tempo mesmo para vencê-lo. Com grande êxito no mercado brasileiro, o Santana foi insucesso na Alemanha pois havia uma grande briga em família com a Audi, que atacava com carros com uma mecânica mais refinada, acabamento superior e o toque esportivo.
 
Em uma típica manhã em São Bernardo do Campo, na Ala 1 da Via Anchieta nascia o primeiro Santana, um projeto de sete anos (1977-1984) e que era denominado de “BEA 112”. A partir daí estava o ínicio de uma batalha, enfrentar o choque direto com a concorrência, e a marca estava “equipada” de sua qualidade, durabilidade, a confiança que o modelo transmitia ao consumidor. A receita para todo esse sucesso foi o uso de uma boa matéria-prima, bom ambiente de trabalho, acesso à tecnologia e planejamento.

O lançamento do Santana exigiu grandes esforços conjugados, inclusive de equipes não ligadas diretamente à produção, na busca, se não da perfeição, pelo menos da otimização de situações existentes. Essa busca teve um estímulo ainda maior, foi quase um desafio tentar satisfazer a exigência de produtividade proposta por Carl Hahn, presidente da Volkswagen mundial em 1984. Nisso foram selecionadas, poucos meses antes da produção seriada, 600 pessoas, de prensistas a montadores finais, no qual eram designados devido a sua
 experiência, responsabilidade e competência com uma única fixação: qualidade, qualidade e qualidade.

Quando definimos qualidade, a questão não é somente superioridade, mas se o produto realmente aguenta o “tranco”, o quanto vale a pena comprar tal produto, por quais boas razões levariam o consumidor a tomar tal escolha, enfim, transmitir confiança ao consumidor, no qual na indústria automotiva isso sempre foi sinônimo de sobrevivência.
 

Para isso tudo era preciso racionalizar, implantar os novos métodos aos poucos de maneira compatível com os antigos ainda em uso, assim todo o setor de funilaria foi mecanizado e automatizado, assim a linha ganhou um lay-out mais racional com a utilização do sistema CAD-CAM, que definia milimétricamente até a melhor posição do pessoal para o trabalho, isso tudo tinha um único culpado: o Santana, devido a obsessão pela qualidade, pela necessidade de mudar e dispor tecnologia mais avançada. Neste método foi implantado o jumbo, uma máquina enorme e de aspecto medonho, que era responsável pela fixação e definição da carroceria de um Santana, no qual eram aplicados cem pontos de solda de uma vez só, e caso estivesse com alguma medida fora da especificação, era simplesmente rejeitada.
 

Em maio de 1977, Hans Runk estava na fabrica de Taubaté, no meio de um projeto de planejamento, quando recebeu a orientação para ir pensando no Santana e na reestruturação da linha de São Bernardo. A partir daí começaram as primeiras avaliações através das especificações técnicas que iam recebendo da Alemanha, afinal o Santana ainda era um projeto. Meses depois, as áreas envolvidas fizeram sua primeira estimativa de investimentos, e em novembro de 1978 veio o tão esperado OK da diretoria. Com o tempo foram recebendo as plantas e desenhos, começaram a fazer os planejamentos definitivos e a pensar no cubing que é um modelo real do carro com pequeníssima margem de variação, em outras palavras, o pessoal que trabalha ao lado da “sala delta”, a das medições sofisticadas, monta um carro de verdade, só que no molde, foram eles, assim, os primeiros a conhecerem o Santana brasileiro, um modelo que impressionou pelo seu tamanho e sua elegância.
 

Na área de qualidade tudo começou com o catálogo de objetivos, coisas imprescindíveis no novo modelo. Coisas como a sensação de conforto de bancos e encostos, que deveria ser superior à oferecida pelo Passat; a regulagem dos bancos, que precisaria ser leve, sem folgas e isenta de ruídos; o espelho retrovisor teria de desacoplar em caso de choque e que não transmitisse vibrações nem distorções de imagem ou as portas que, ao serem fechadas emitir um som forte, sólido, semelhante àquele de uma porta de geladeira.

 

 

 

© Santana Fahrer Club 2003-2006. Todos os direitos reservados.