Lançamento

Lançada na primeira quinzena de setembro de 1985, a perua Santana Quantum já era pensada antes mesmo do lançamento do Santana. Mesmo com dúvidas sobre como o mercado reagiria a uma perua grande, moderna, de tecnologia avançada, de luxo e exclusivamente de quatro portas (além da tampa traseira), o bom desempenho das vendas do Santana encarregou de desfazer essas dúvidas. Assim, a Quantum chegava às revendedoras, sempre com quatro portas, e a exemplo do Santana, jamais na cor branca.
 
Simplesmente a Volkswagen sempre se recusou de qualificar o Santana Quantum de perua, preferia um termo mais abrangente, station-wagon, que para os americanos exprime melhor as idéias de luxo, espaço e conforto para a família, sutilmente passando ao consumidor a sensação de um status diferenciado.

Na época de seu lançamento o consumidor estava cada vez mais bem informado, mais exigente, principalmente nesta faixa de mercado de carros mais sofisticados, a classe C, destinada aos consumidores de maior poder aquisitivo. Era exatamente nessa Classe C que a Volkswagen não dispunha de qualquer oferta até o lançamento do Santana, em junho de 1984. Mas a Quantum, por meio das suas primeiras versões CS e CG, estava presente também na B, enfrentando Belina e Caravan (a Parati disputava espaços na classe A), deixando para a versão CD, a mais completa e mais cara na época, o embate direto com a Scalla e a Caravan Diplomata.


No Brasil, a VW esperou da Quantum uma resposta semelhante ao seu desempenho nos Estados Unidos (batizada de Quantum Wagon) e na Europa (com o nome de Passat Variant), continente onde, segundo a fábrica, liderou as vendas do setor com 34% do mercado em 1984, superando as peruas Ford Sierra, Peugeot 305 e Renault 18.

A Quantum sofreu as mesmas sofisticações, como o avanço tecnológico e design moderno do Santana. Pelo menos três inovações ficaram bem à vista dos consumidores: o bagageiro de teto, cujas hastes transversais podiam ser retiradas quando não estivessem sendo usadas, no qual diminuía o nível de ruídos aerodinâmicos; a tampa sanfonada de proteção do compartimento de bagagem, que também poderia ser retirada para aumentar o espaço útil interno; e o encosto do banco traseiro bipartido (1/3 e 2/3), que ampliava e facilitava o uso do compartimento de bagagem.
 

 

A base mecânica era a mesma do Passat anterior: motor longitudinal, tração dianteira, suspensão McPherson à frente com raio negativo de rolagem e eixo de torção atrás, agora sem a barra Panhard daquele modelo e incorporando buchas silenciosas "inteligentes", cuja deformação era calculada de maneira a, nas curvas, não ocorrer divergência da roda externa, a de apoio.

Para fazer com que o nível de ruído caísse, todo o sistema de escapamento teve os seus elementos redimensionados, possibilitando a maior expansão dos gases, que além de tornar o carro mais silencioso, houve o reflexo imediato dessas modificações que foi a menor perda de potência do motor. Além do sistema de escapamento o motor também sofreu pequenas alterações e a partir daí passou a ser dotado de tolerâncias mais precisas, pistões mais leves e novas bielas, que reduziam os ruídos e as vibrações, válvulas de escape redimensionadas e distribuidores e carburadores com novas regulagens, que favoreciam mais economia de combustível.
 

Um dos maiores desafios que a Quantum legou ao Departamento de suspensão foi definir as calibragens de molas e amortecedores; fazê-las funcionar com perfeição no limite do uso, foi até simples. Mas, o problema maior começou com a constatação de algumas deformações na chapa, que ou estava subdimensionada ou, então, submetida a picos de tensão que os amortecedores não suportavam. Depois de muitos testes, rodagem e em laboratórios, descobriram a ineficiência do batente convencional, de borracha. A solução para esse problema foi o uso de um novo batente, de cellasto, que era um elastômero de poliuretano de alta resistência, e bem mais caro.

A quinta porta também não deveria atormentar os donos da Quantum, no qual era dimensionada e regulada somente para ser lembrada na hora de ser aberta ou fechada.


O controle de qualidade da Quantum, pelo menos no que se dizia respeito às quase 3000 unidades de lançamento, estava submetida a um comitê de controle, a exemplo do que aconteceu com o Santana, envolvendo funcionários de nível de recrutados em todas as áreas de produção, eles checavam mais de uma centena de itens antes de aporem sua assinatura numa espécie de diploma, um documento que garantia compromisso de qualidade da montadora com o cliente.

A presença do Santana Quantum no mercado brasileiro é o resultado de investimentos que somaram 10 milhões de dólares e mais de 1 milhão de quilômetros rodados em testes, isso tudo para produzir um veículo que teria preços um pouco acima do que o das suas versões correspondentes do Santana e dos seus próprios concorrentes.

Após o lançamento do carro, ninguém esperaria pelo crescimento da família Santana, pois a Volkswagen simplesmente colocou definitivamente fora de cogitações os seus planos em relação ao esportivo modelo fastback, que acabaria brigando diretamente com o Passat.


 

 

 

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