O começo do história

Texto de Lucas Toffoli Alcino
Imagens:
Lucas Toffoli Alcino
Data:
1º de março de 2004

Mesmo sendo um aficionado por Santana muitos não sabem como tal carro surgiu em minha vida.

Um dos primeiros carros de meu pai foi um Passat GTS Pointer 1984, que posteriormente foi trocado por um Passat Village 1986, dois grandes carros que deixaram saudades. Após o Village entrou na família uma Santana Quantum CG 1986, completa, inclusive com câmbio automático, motor 1.8 à álcool. Apesar do tempo ainda me lembro dos bancos e carpetes em tom de cinza, volante de quatro raios e quatro botões para buzina, do barulho que os trilhos da cobertura do porta-malas faziam, e o inesquecível problema em que ela teve no câmbio, onde foi necessário a troca por um novo.
 

Foi com este mesmo carro que eu dirigi pela primeira vez, facilitado pelo câmbio automático e pela segurança do local, pois dirigi em uma área rural, onde não havia tráfego de outros carros. Tinha somente 11 anos e não tinha muita noção de direção, mesmo adorando carro desde quando pequeno. Ajustei o banco, coloquei o cinto, liguei a Quantum, posicionei o câmbio no Drive e enfiei a botina no acelerador, assim, levei o primeiro susto pois o carro simplesmente ficou patinando e não saiu do lugar, aliviei o pé e tentei novamente. Lembro que eu não utilizei retrovisores e nem conseguia manter o carro corretamente na faixa, mas uma coisa eu me lembro, a velocidade que eu havia alcançado, 130 km/h. Mesmo gostando e não tendo noção nenhuma de como conduzir, sempre fui louco por velocidade, e quando surgiu a primeira oportunidade, aproveitei.

A Quantum teve um fim trágico, até hoje não sabemos o que realmente aconteceu, mas tivemos um acidente dentro da própria garagem de casa, onde eu acredito que, a borracha que protegia o carpete pressionou o kick-down (botão de redução de marcha), fazendo com que o carro disparasse contra mim, que ainda estava abrindo o portão. Fui atropelado, arremessado contra uma parede, cai em uma posição em que o carro passou por cima da minha perna esquerda, e por incrível que pareça não aconteceu nada. O carro somente foi parar na parede da garagem, onde mesmo parada pela parede, continuava tracionando, e como não tinha embreagem e o carro não desacelerava mesmo posicionando o câmbio no “P”, só restava engatar a ré e estourar o câmbio.
 

A minha reação foi completamente explosiva, não por mim, nem pelo o estrago na garagem, mas pelo o carro. Não senti nada, as únicas marcas foram os ralados e o desenho do pneu que ficaram por mais de 20 dias na minha perna, mas não estava nem aí, estava preocupado com o carro. Como tínhamos seguro não tivemos nenhum problema quanto aos custos, e devido ao grande empenho da seguradora ela nunca mais voltou. Na época não haviam encontrado um pára-choque idêntico ao modelo da CG, e a seguradora fez a proposta de colocar o do modelo GL de 1987, mas nossa condição era de que o traseiro também fosse substituído. Como não houve acordo, foi considerado perda total.

Após a Quantum tivemos Omega e Tempra Stile em casa, mas devido aos custos meu pai havia decidido procurar algo mais em conta. Na época até procuramos outro modelo da Fiat, encontrei um Tempra 16V 1995, azul, com rodas do turbo, o carro era um espetáculo, e o preço estava atraente, em torno de R$ 24.000. No trabalho ele comentou com alguns amigos sobre a escolha e perguntou referência para um proprietário, onde disse o seguinte:

- Se você quer comprar um carro que não lhe de dor de cabeça nenhuma e é um Senhor carro, compre um Santana.

Mesmo adorando a velha Quantum eu ainda não concordava com a idéia, como eu tinha somente 13 anos, eu não tinha decisão de escolha. Foi quando fomos até a Santa Emília de Ribeirão Preto ver os modelos disponíveis, lembro que haviam poucos modelos GLi 2000, onde estavam sendo substituídos pelo o 2000Mi, isso foi em setembro de 1996. Ainda me lembro do Santana Evidence preto que estava disponível no showroom, enquanto meu pai negociava, eu apreciava o interior, o desenho do aerofólio, as rodas, após isso ia até o pátio e ficava admirando um outro Evidence mas na cor vermelha, ainda me lembro dos preços, esta versão podia ser comprada por R$ 24.500, o preço do Tempra!

Levamos um tempo para escolher o modelo, cor e os opcionais. Acabamos optando por um Santana 2000 Mi na cor azul class perolizado, com ar-condicionado, direção hidráulica, travas elétricas com alarme, só não foi comprado com vidro elétrico por causa do drama que tivemos com a Quantum, onde apresentou vários problemas e não encontrávamos quem prestasse assistência de verdade. O preço do carro saiu por R$ 21.450, e veio de uma concessionária de Curitiba – Paraná.

Mesmo antes de pegarmos o carro invadi a oficina para vê-lo na revisão, e lá estava o meu Santana, novinho, com plásticos nos bancos, computador conectado, motor ligado, após isso fiquei babando ao vê-lo sendo manobrado até a recepção para ser entregue, fui caminhando ligeiramente ao lado dele. Estava acompanhado de meu pai e meu irmão mais novo, e quando fomos embora assumi o banco do passageiro, dali ninguém me tirava!

As primeiras impressões ficaram por conta da facilidade com que o carro destracionava e a suavidade do motor em baixas rotações. O dia estava ensolarado e havia muita gente na rua de casa, que abriram os olhos quando chegamos com Santana, novinho, limpinho e com a bela pintura perolizada, por incrível que pareça muitos foram ver o carro de perto, que impressionava com aquela traseira alta e lanternas em tom fumê.

A única revisão que foi feita foi aos 10.000kms, era gratuita, após isso o carro nunca mais voltou à concessionária para as demais revisões, se bem que nunca foram necessárias. Aos poucos o Santana foi ganhando alguns itens, como: suporte de placa traseiro e CD-Player, havia preparação para som com alto-falantes mas foi comprado sem toca-fitas.

O carro raramente rodava, passava de 5 à 15 dias parado, pois meu trabalhava em São Paulo e como não tinha habilitação, não estava autorizado em tocá-lo enquanto não estivesse aqui. O mais triste é que o carro não ficava em casa, morávamos em apartamento e ficávamos com receio de riscos e arranhões, que é o que acontece em qualquer estacionamento de condomínio, nisso, colocávamos em um estacionamento perto de onde eu estudava, e na saída sempre passava por lá para vê-lo.

Anos passaram e mudamos para uma casa e com bastante espaço na garagem, passando a ter mais tempo para cuidá-lo melhor, assim, podia dar minhas escapas. A partir daí o carro começou a ganhar uma cara nova, onde já fui logo instalando insul-film; troquei o CD-Player e os cansados falantes originais foram trocados por mais potentes; coloquei as tão sonhadas rodas diamantadas do modelo Exclusiv, que até hoje permanecem no carro. E recentemente instalei o painel de fundo branco e os faróis de neblina.

Atualmente temos o Santana e um Passat VR6, da mesma cor e muito mais equipado e potente, mas por mim, se um dia tiver que um ir embora, que vá o Passat, não o Santana.

 

 

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