Porsche 911 Turbo e meu Santana

Texto de Luiz Gustavo Pulita
Imagens:
German Cars Fans
Data:
1º de março de 2004

Domingo, 14 horas, 35ºC, Estrada que vai para Veranópolis, pista única, Santanão a 90 km/h, girando a baixos 2500 rpm, pista vazia. Quando surge quente no retrovisor uma miragem, um ser extraordinário, que só a indústria alemã seria capaz de idealizar. Isto mesmo, um Porsche 911 Turbo, com seus ofuscantes faróis de xenônio a centímetros do pára-choques do pobre Santana.

No menor sinal de reta, o bólido levantou ligeiramente a dianteira, roncou forte a ponto de arrepiar os pelos do braço, e acelerou fundo, passando por mim como um raio prateado. Os canos de escapamento ovais, um de cada lado, espirraram gasolina, e o aerofólio traseiro mostrou a quê veio, saindo da toca automaticamente após os 80km/h.

Um forte impulso invade o AP-2000Mi, achando que poderia ter qualquer chance de enxergar mais um pouco daquela máquina produzida no Éden. Eu e meu companheiro azulão não fizemos muito feio nas curvas fortes de asfalto quente. O Santanão cantou pneu, desgarrou a traseira, e uma leve correção para o lado oposto da curva se fez necessária. Nada a assustar. Aos poucos, o piloto do Porsche aliviou o peso do pé direito ao parar atrás de uma carreta.


Novamente vi o bichão... os pneus não poderiam ser menores do que 265 na traseira, e as rodas, pelo que podia ver, nada menos que aro 17. As pinças de freio vermelhas brilhavam dentro das grandes rodas. O aerofólio baixou, ao atingir 40 km/h. Novamente, num curtíssimo espaço de reta, a traseira dele baixou, aerofólio pulou para fora, e o ronco do motor chegou a levantar poeira sobre o extenso capô do Santana. Tchau Porsche 911 Turbo, um dos maiores mitos da indústria de automóveis esportivos do mundo. Bem na minha frente. Obrigado, Ferdinand Alexander Porsche, por ter proporcionado toda esta perseguição, ao ter sido pai do Fusca e do 911S.

Somente assim, quase 60 anos após a idealização dos seus modelos, eu pude estar a bordo do Santana e o privilegiado motorista desconhecido, a bordo de sua jóia única e cheia de história.

 

 

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