Táxi sim, e daí?

Texto de Lucas Toffoli Alcino
Imagens:
divulgação
Data:
30 de abril de 2004

Qual proprietário de Santana ou Versailles nunca ouviu uma certa piadinha sobre seu carro ser táxi? Vários proprietários já passaram por isso, e não é uma situação de constrangimento, e sim um motivo de orgulho. Muitas das vezes os irmãos quase gêmeos são taxados de Táxi simplesmente por serem e muitos nem sabem a verdadeira razão, desta forma os carros caem na boca do povo com uma visão um pouco negativa, criando-se um preconceito na hora de uma venda ou até mesmo num bate-papo com amigos.

Além do Santana e Versailles, dos modelos fora de linha três volumes, é possível encontrar os modelos Tempra e Monza. Um dos motivos do Santana ser ainda o mais cotado é por ainda estar sendo fabricado e apresentar um dos melhores coeficientes de custo/benefício, com uma mecânica robusta e espaço de sobra.

Um carro ideal para frota não pode apresentar manutenção excessiva, muito menos cara. A mecânica Volkswagen conquistou por muitos e muitos anos e ainda lidera em termos de confiança, mesmo assim a mecânica não esta completamente livre de problemas, mas uma das grandes vantagens esta na variedade de peças que há hoje no mercado, você encontra com grande facilidade peças em concessionária e lojas de peças usadas, e a mão-de-obra não se restringe à concessionária, como acontece com alguns carros mais modernos, onde vários itens somente podem ser verificados por técnicos aptos e com equipamentos específicos, já Santana ou Versailles possuem mecânica fácil, possibilitando a manutenção no seu mecânico ou eletricista de confiança.
 

A dupla Santana e Versailles por apresentarem a mesma plataforma e mecânica são praticamente os mesmos carros, aliados de conforto e baixo custo, porém na hora da compra é possível encontrar um Versailles de mesmo ano e versão com um preço mais em conta, um exemplo seria o VW Santana GLSi 2000 com preço aproximado de R$ 12.500,00 e o Ford Versailles Ghia 2.0i com preço aproximado de R$ 10.900,00, ambos 1995, gasolina, 4 portas e completos.

Muitos Santanas da primeira geração ainda são usados em frotas, inclusive em ótimo estado de conservação e com hodômetros que já viraram a casa de 200.000, 300.000kms.

Poucos Fiat Tempra Táxi são vistos rodando, é um carro que quando bem conservado e com as manutenções em dia demonstra-se tão bom, ou melhor, que o próprio Santana, porém este não se pode dar ao luxo de simplesmente trocar filtros e óleo, um dos itens que deve sempre ser verificado e trocado é a correia dentada, que em uma quebra pode gerar um prejuízo de cerca de R$ 2.000,00. Outro fato é o custo das peças na concessionária, além de que estão tornando-se raras para alguns modelos. Por se tratar de um modelo fora de linha, a única alternativa é partir para um usado, que nem sempre é facilmente encontrado em ótimo estado de conservação.

O Chevrolet Monza também vem ganhando seu espaço no meio dos taxistas, mesmo se tratando de um modelo fora de linha, é uma ótima opção para quem quer investir cerca de R$ 10.000,00 em um modelo completo com 10 anos de uso, no caso seria um Monza Classic 2.0 MPFI 1994, com mecânica tão boa quanto a da Volkswagen, ficando ao gosto do cliente.

Em Brasília o Sistema de Táxi foi alterado para um sistema de classificação embasado na idade, cilindrada, acessórios e numero, tudo isso foi feito para estimular a atualização de frota, em vista que muitos deles possuí mais de dez anos de uso. O melhor caminho seria a sua troca por um 0 Km, devido ao fato de ser um modelo completamente novo e com garantia, traduzindo em uma certa tranqüilidade em ocasiões de quebra, mas nem todos taxistas têm condições e muito menos o governo facilita.

Mesmo diante de tanta confiança, o Santana 0 Km não esta tão tranqüilo assim, no seu caminho há modelos que podem ser considerados verdadeiras pedreiras, como Honda Civic, Toyota Corolla e o Chevrolet Astra, que são projetos mais modernos, deixando o Santana não com cara de “tio”, mas com cara de “vovô”, mesmo assim o Santana ainda possuiu seu publico fiel, conquistado em 20 anos de mercado, e aqueles que não são proprietários afirmam que só não optam por um Santana devido à clientela preferir algo mais jovial, traduzindo, status. Ainda afirmam que se não fosse este o caso o seu carro seria o Santana.

Mudar é preciso, e sua última mudança foi à adoção do sistema de GNV que pode ser instalado em concessionárias homologadas pela Volkswagen. Em busca de melhores vendas e como publico alvo o próprio taxista, a Autobom e Distac no Rio de Janeiro e as revendedoras mineiras Carbel, Catalão e Apec estão oferecendo gratuitamente o kit GNV com garantia de fabrica. Mas o Kit GNV não é o suficiente, o Santana 1.8 e 2.0 necessitam de motores com tecnologia bi-combustível, porém o Chevrolet Astra 2005 saiu na frente e virá com esta novidade em breve.

Recentemente publicamos em nosso site as fotos do Santana 3000, modelo reestilizado e lançado no mês de março de 2004 na China, mostrando que é possível adotar mais conforto e segurança em um projeto antigo, será este o fôlego necessário para que o Santana brigue diretamente com a “molecada”? É o que esperamos, o carro, é claro, pois a briga é certa.

 

 

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